“Álcool é a droga mais consumida em Cabo Verde”

Esta afirmação é da Comissão de Coordenação do Combate a Droga (CCAD), de acordo com os dados apresentados ontem, 08 de Novembro de 2017, na Universidade de Santiago, durante a realização de algumas acções de sensibilização sobre o uso de álcool e outras drogas no seio da comunidade académica.

Estas actividades foram realizadas sob o lema “Prevenção do uso abusivo do álcool”. Odete Mota, Enfermeira responsável pelas actividades, explicou que estão a actuar principalmente no seio universitário, porque, normalmente, nesta faixa etária os jovens saem da casa dos pais e moram noutras ilhas ou cidades, começando por experimentar certas “drogas”, principalmente o álcool.

Um elemento que a enfermeira Odete Mota salientou, foi que de entre os alunos do país, a percentagem dos que usam álcool representa mais da metade da população e o mais preocupante nos estudos realizados é que não importa a faixa etária para o aumento do consumo. “Segundo os dados, a mesma percentagem de adolescentes de 15 anos que consome álcool, não muda para os jovens e nem para os adultos. Pode-se dizer que a mesma quantidade de adolescentes que consome álcool no país, corresponde também ao número de adultos que consomem”. Além destes dados, de acordo com estudos feitos pela Organização Mundial da Saúde, Cabo Verde possui um consumo de álcool acima dos outros países africanos e, como avançou Mota, “daí surge a explicação para termos tantos casos de doenças crónicas, como a hipertensão, diabetes, perturbações mentais, violência doméstica; alguns tipos de cancro, entre outros.

Os alunos colocaram as suas preocupações e com a ajuda de um ex-usuário, José Dias, Mota foi dando respostas com exemplos práticos. Uma das preocupações levantadas foi sobre as pessoas que dizem que estão usando o álcool, mas não porque querem. Dias, pegou do seu caso para explicar o porquê de eles agirem assim. “Nesta fase, já têm consciência de que este acto é prejudicial, mas já estão viciados e não conseguem sair. É a partir deste momento que a pessoa necessita de ajuda para poder sair deste buraco”, adianta Dias, que não teve problema nenhum em exemplificar com a sua experiência de vida. “Eu comecei a ter contacto com o álcool muito cedo, porque os meus pais o usavam. Mas, mesmo assim, tinha um bom comportamento, terminei o secundário com óptimas notas, consegui emprego, construí a minha família. Mas após começar a utilizar o álcool de forma abusiva, destruí a minha família, quase vi a minha filha ser tomada pelo ICCA, perdi o meu emprego, entre outros problemas que criei devido ao uso do álcool.

Entre outras questões, os oradores explicaram aos alunos a questão de  quando a pessoa bebe e no outro dia diz que não se lembra. Segundo Dias, quando a pessoa consome grande quantidade de álcool, este provoca um blackout na pessoa, fazendo com que não ele não se lembre de mais nada, ou então quando a pessoa bebe demais e pratica algum crime, este pode ficar traumatizado provocando uma amnésia.

No final, deram algumas dicas de como se relacionar com parentes, vizinhos e amigos alcoólicos, procurando ajuda em entidades que já fazem uma abordagem especializada. Também, não deixaram de apelar aos alunos a não usarem álcool, que, para além de trazer consequências ao nível da saúde, familiar, social, leva o alcoólico a experimentar outras drogas e a cometer diversos crimes. 

Marli Mendes